Geração Distribuída irá impulsionar crescimento das energias renováveis até 2024

Recentemente, a Agência Internacional de Energia (AIE) publicou o relatório “Renewables 2019”, que trata sobre as perspectivas das energias renováveis nos próximos 5 anos. O relatório aponta que a geração distribuída de energia solar será a principal responsável pela expansão das renováveis, que irão dobrar sua capacidade mundial até 2024.

A agência prevê um crescimento vertiginoso (60% da progressão das renováveis) no setor solar fotovoltaico em âmbito mundial, principalmente nas instalações descentralizadas (residências e estabelecimentos que produzem a própria energia) em comparação com as grandes usinas solares.

A situação da fonte solar fotovoltaica no mundo é bastante promissora, com um crescimento anual que se destaca entre as outras fontes renováveis. 

No curto prazo, a AIE prevê um aumento de 1.200 GW de capacidades de energia limpa, o equivalente à capacidade elétrica atual dos Estados Unidos. As energias renováveis passarão de 26% a 30% da produção de eletricidade mundial, atrás do carvão (cerca de 34%), devido a políticas governamentais de redução de emissões de CO2 e a queda dos custos.

Energia solar está no centro das transformações do sistema energético

Para o diretor da AIE, Fatih Birol, o mundo está passando por uma transição. “As energias solar e eólica estão no centro das transformações do sistema energético. Mas serão necessários mais esforços, para o clima, a qualidade do ar ou o acesso à energia”, afirmou o executivo.

No comércio e indústrias, os módulos fotovoltaicos funcionam especialmente bem. As placas são ativas durante o dia, momento em que se chega ao máximo nível potencial da energia solar. Quando se trata de residências, Austrália, Bélgica, Califórnia, Holanda e Áustria lideram o número de telhados equipados com estas instalações. Conforme a AIE, esse número pode chegar a 100 milhões antes de 2024, representando 6% da superfície de telhados disponível.

“Esse crescimento tão meteórico, fora do mercado convencional de energia, transformará a forma como produzimos e consumimos eletricidade”, apontou Fatih Birol. “O desenvolvimento da energia solar tem de ser bem administrado, para garantir rendimentos estáveis para a manutenção das redes, conter os custos de integração ao sistema e distribuir de forma igualitária os custos entre os consumidores.”

O diretor da AIE ainda apontou as vantagens dos adeptos da geração distribuída “Estes sistemas empoderam os produtores de energia individuais, além de dar aos cidadãos uma forma de contribuir ao combate contra o aquecimento climático”.

Fonte solar é uma das protagonistas da transição energética no Brasil

No Brasil, dadas as condições favoráveis de mercado e o excelente recurso solar disponível em todas as regiões do território nacional, a fonte solar fotovoltaica é responsável por cerca de 99,6% de todos os sistemas na modalidade de geração distribuída (GD). Assim, o potencial para expansão do setor é gigantesco, baseado na medição da irradiação solar do país, ou insolação, que só fica atrás da Austrália.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o território brasileiro recebe mais de 2.200 horas anuais de insolação, o que é proporcional a 15 trilhões de megawatts (número 15 seguido de 18 zeros). Dessa forma, a transição energética no Brasil tem como ponto crucial o setor fotovoltaico, que age como um importante catalisador de todo o processo.

Em 2018, o Brasil ficou próximo dos dez maiores investidores em solar, com 1,2 mil MW instalado. A Holanda, 10º maior investidor em 2018, instalou 1,3 mil MW. Entretanto, atualmente o país ainda está distante dos maiores geradores solares do mundo. O primeira colocado é a China, com 176,1 mil MW – mais que toda a potência instalada no País, em todas as fontes de energia.

Para diretor da AIE, o Brasil ocupa posição modesta na transição global para as energias renováveis

Em recente apresentação na conferência OTC Brasil, o presidente da AIE afirmou que o Brasil poderá exercer um papel de destaque na transição global para as energias renováveis, mas que mantém uma postura modesta demais no cenário mundial em relação à essa transição. De acordo com Fatih Birol, está na hora do país tomar um lugar de protagonismo.

“É bom ser modesto, mas o Brasil tem sido modesto demais” afirmou. “Não sejam modestos, refiram-se a vocês como um grande caso de sucesso.”.

É inegável que, para o Brasil destacar-se em âmbito global, é necessário manter políticas públicas que fomentem o crescimento da geração distribuída. Entretanto, o país parece estar diminuindo os incentivos em momento inoportuno, com relação a fonte solar fotovoltaica, que pode sofrer mudanças regulatórias. Essas mesmas alterações também aconteceram nos países com grande penetração da geração solar fotovoltaica. Porém, foram executadas apenas quando a taxa de penetração da energia solar chegou em 5%, valor que no Brasil ainda está distante de ser alcançado.

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Henrique Horst Figueira

Henrique Horst Figueira

Gerente comercial do INRI e doutorando em Engenharia Elétrica - UFSM.

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